técnico · produto

Seu MVP provavelmente não é um MVP de verdade.

Seu MVP provavelmente não é um MVP de verdade.

Todo mundo quer fazer o sonhado MVP perfeito. Quase ninguém sabe que isso mal faz sentido na prática.

06 Jul 26

·

6 min de leitura

Se você convive com o ecossistema de startups e inovação no Brasil, já ouviu isso dezenas de vezes: "primeiro vamos fazer um MVP". Está nos decks de pitch, nas conversas com aceleradoras, nas primeiras reuniões com desenvolvedores. MVP virou sinônimo de começo, de saber como construir, de não desperdiçar dinheiro.

O problema é que, na prática, quase ninguém está falando da mesma coisa.

Já vi empreendedor chamar de MVP um sistema com oito módulos, integração de pagamento, painel administrativo, app mobile e dashboard de relatórios. Já vi quem confundiu um protótipo clicável com produto pronto. E já vi quem foi pra uma rodada de captação sem ter nada além de uma apresentação de slides, achando que isso era suficiente para provar um modelo.

A confusão de termos custa (muito) dinheiro. E no contexto de quem está construindo um produto pela primeira vez, muitas vezes com recurso limitado e prazo curto, pode custar o seu projeto inteiro.

Comecemos nomeando as coisas direito.

Se você convive com o ecossistema de startups e inovação no Brasil, já ouviu isso dezenas de vezes: "primeiro vamos fazer um MVP". Está nos decks de pitch, nas conversas com aceleradoras, nas primeiras reuniões com desenvolvedores. MVP virou sinônimo de começo, de saber como construir, de não desperdiçar dinheiro.

O problema é que, na prática, quase ninguém está falando da mesma coisa.

Já vi empreendedor chamar de MVP um sistema com oito módulos, integração de pagamento, painel administrativo, app mobile e dashboard de relatórios. Já vi quem confundiu um protótipo clicável com produto pronto. E já vi quem foi pra uma rodada de captação sem ter nada além de uma apresentação de slides, achando que isso era suficiente para provar um modelo.

A confusão de termos custa (muito) dinheiro. E no contexto de quem está construindo um produto pela primeira vez, muitas vezes com recurso limitado e prazo curto, pode custar o seu projeto inteiro.

Comecemos nomeando as coisas direito.

os principais termos

os principais termos

MVP: Minimum Viable Product

MVP: Minimum Viable Product

O produto mínimo viável é a menor versão possível do seu produto que entrega valor real pra um usuário real e te permite aprender algo concreto sobre o mercado. A palavra que importa aqui não é "produto" e não é "viável". É mínimo. Um MVP não tem tudo que você imaginou. Ele tem o suficiente pra provar que a sua hipótese principal faz sentido. Nada mais.

O produto mínimo viável é a menor versão possível do seu produto que entrega valor real pra um usuário real e te permite aprender algo concreto sobre o mercado. A palavra que importa aqui não é "produto" e não é "viável". É mínimo. Um MVP não tem tudo que você imaginou. Ele tem o suficiente pra provar que a sua hipótese principal faz sentido. Nada mais.

MLP: Minimum Lovable Product

MLP: Minimum Lovable Product

Muito subestimado, é uma evolução do conceito de MVP que considera que "viável" não é suficiente para criar retenção. Um MLP é a menor versão do produto que as pessoas não só usam, mas gostam (ou amam) o suficiente para continuar usando e ainda recomendar para outras pessoas. É o passo seguinte ao MVP validado, antes da escala. Se o MVP prova que o problema existe, o MLP prova que a sua solução resolve bem o suficiente para alguém pagar por ela.

Muito subestimado, é uma evolução do conceito de MVP que considera que "viável" não é suficiente para criar retenção. Um MLP é a menor versão do produto que as pessoas não só usam, mas gostam (ou amam) o suficiente para continuar usando e ainda recomendar para outras pessoas. É o passo seguinte ao MVP validado, antes da escala. Se o MVP prova que o problema existe, o MLP prova que a sua solução resolve bem o suficiente para alguém pagar por ela.

Protótipo navegável

Protótipo navegável

Quer só captar investimento? Um protótipo navegável é uma simulação interativa do produto, sem nenhum código real por trás. Ele existe para testar fluxos, validar com usuários e apresentar a ideia de forma tangível. Um bom protótipo navegável é indistinguível do produto real para quem está testando, mas custa uma fração do desenvolvimento. É possível captar investidor, fechar parceria e validar hipóteses com um protótipo. Não precisa ter código rodando pra provar que sua ideia funciona.

Quer só captar investimento? Um protótipo navegável é uma simulação interativa do produto, sem nenhum código real por trás. Ele existe para testar fluxos, validar com usuários e apresentar a ideia de forma tangível. Um bom protótipo navegável é indistinguível do produto real para quem está testando, mas custa uma fração do desenvolvimento. É possível captar investidor, fechar parceria e validar hipóteses com um protótipo. Não precisa ter código rodando pra provar que sua ideia funciona.

Produto beta

Produto beta

O produto beta é uma versão funcional com código real, mas ainda em fase controlada de testes com um grupo selecionado de usuários. Ele já existe de verdade, mas ainda não está pronto para a escala. É o momento em que você começa a coletar dados reais de uso, corrige o que não funciona, e valida se o que você construiu resolve o problema como você espera.

O produto beta é uma versão funcional com código real, mas ainda em fase controlada de testes com um grupo selecionado de usuários. Ele já existe de verdade, mas ainda não está pronto para a escala. É o momento em que você começa a coletar dados reais de uso, corrige o que não funciona, e valida se o que você construiu resolve o problema como você espera.

Produto final

Produto final

Seu objetivo de longo prazo. É o tão sonhado produto completo, estável e pronto para operar em escala. É onde você chega depois de passar pelas fases anteriores com aprendizados em mãos. Ir direto pro produto final sem passar pelos estágios anteriores é o erro mais caro que um empreendedor com capital limitado pode cometer.

Seu objetivo de longo prazo. É o tão sonhado produto completo, estável e pronto para operar em escala. É onde você chega depois de passar pelas fases anteriores com aprendizados em mãos. Ir direto pro produto final sem passar pelos estágios anteriores é o erro mais caro que um empreendedor com capital limitado pode cometer.

na prática

na prática

Em 1999, os fundadores do Airbnb não construíram uma plataforma. Eles fotografaram o próprio apartamento, criaram uma página simples, e alugaram três colchões de ar para desconhecidos que precisavam de hospedagem durante um evento em San Francisco.

Sem infraestrutura de pagamento. Sem sistema de avaliação. Sem mapa de busca. Eles queriam responder apenas uma pergunta: alguém pagaria para dormir no apartamento de um estranho? E a resposta foi sim. Depois veio todo o resto.

Alguns anos atrás, na segunda startup que eu fundei, a gente queria criar uma plataforma que recomendasse locais acessíveis para pessoas com deficiência, pensando especificamente na comunidade PCD, quase um Waze da acessibilidade.

Em vez de construir qualquer sistema, a gente criou um canal no Telegram. Publicamos rotas acessíveis, sugestões de passeios, combinações de lugares que permitiam ir de uma exposição a um restaurante sem perder acessibilidade no caminho. E mediamos a recepção por ali: o engajamento, as perguntas, os comentários. Esse mesmo canal virou a fonte dos nossos primeiros entrevistados para pesquisas qualitativas.

Custo do MVP: praticamente zero. Aprendizado: suficiente para decidir se valia a pena construir a próxima etapa.

Em 1999, os fundadores do Airbnb não construíram uma plataforma. Eles fotografaram o próprio apartamento, criaram uma página simples, e alugaram três colchões de ar para desconhecidos que precisavam de hospedagem durante um evento em San Francisco.

Sem infraestrutura de pagamento. Sem sistema de avaliação. Sem mapa de busca. Eles queriam responder apenas uma pergunta: alguém pagaria para dormir no apartamento de um estranho? E a resposta foi sim. Depois veio todo o resto.

Alguns anos atrás, na segunda startup que eu fundei, a gente queria criar uma plataforma que recomendasse locais acessíveis para pessoas com deficiência, pensando especificamente na comunidade PCD, quase um Waze da acessibilidade.

Em vez de construir qualquer sistema, a gente criou um canal no Telegram. Publicamos rotas acessíveis, sugestões de passeios, combinações de lugares que permitiam ir de uma exposição a um restaurante sem perder acessibilidade no caminho. E mediamos a recepção por ali: o engajamento, as perguntas, os comentários. Esse mesmo canal virou a fonte dos nossos primeiros entrevistados para pesquisas qualitativas.

Custo do MVP: praticamente zero. Aprendizado: suficiente para decidir se valia a pena construir a próxima etapa.

Um MVP não é o seu produto com menos funcionalidades, É a menor coisa que você pode fazer pra aprender se o seu produto deveria existir.
Um MVP não é o seu produto com menos funcionalidades, É a menor coisa que você pode fazer pra aprender se o seu produto deveria existir.

O erro que todo mundo comete

O erro que todo mundo comete

O problema não é que as pessoas desconhecem o conceito de MVP. Aceleradoras falam sobre isso, as incubadoras ensinam, não falta conteúdo. O problema é que na hora de sentar para planejar o que vai ser construído, o empreendedor lista tudo que ele imaginou pro produto, chama aquilo de MVP, e parte para execução como se a lista fosse o mínimo.

Não é. É o máximo que ele consegue imaginar no momento em que ele tem menos informação sobre o mercado, sobre o usuário e sobre o que vai funcionar de fato.

Isso acontece por duas razões que coexistem: quem quer empreender muitas vezes não para pra estudar o que aqueles termos verdadeiramente significam antes de usá-los, e quem estuda frequentemente acredita que o que ele está fazendo já é o mínimo porque é menor do que o produto final que ele tem em mente.

As duas lógicas chegam no mesmo lugar: um escopo grande demais, acompanhado de um orçamento curto demais, e geralmente dentro de um prazo tão pequeno quanto o número de pessoas dispostas a utilizar um produto que muito quer e pouco faz.

O problema não é que as pessoas desconhecem o conceito de MVP. Aceleradoras falam sobre isso, as incubadoras ensinam, não falta conteúdo. O problema é que na hora de sentar para planejar o que vai ser construído, o empreendedor lista tudo que ele imaginou pro produto, chama aquilo de MVP, e parte para execução como se a lista fosse o mínimo.

Não é. É o máximo que ele consegue imaginar no momento em que ele tem menos informação sobre o mercado, sobre o usuário e sobre o que vai funcionar de fato.

Isso acontece por duas razões que coexistem: quem quer empreender muitas vezes não para pra estudar o que aqueles termos verdadeiramente significam antes de usá-los, e quem estuda frequentemente acredita que o que ele está fazendo já é o mínimo porque é menor do que o produto final que ele tem em mente.

As duas lógicas chegam no mesmo lugar: um escopo grande demais, acompanhado de um orçamento curto demais, e geralmente dentro de um prazo tão pequeno quanto o número de pessoas dispostas a utilizar um produto que muito quer e pouco faz.

meu projeto é um MVP?

Faça um experimento simples, pergunte para alguém de fora do projeto o que o seu produto faz. Se a resposta vier com mais de uma ideia, você construiu mais de uma coisa. Um bom MVP é uma ideia só, executada bem o suficiente para provar que vale a pena ter uma segunda ou uma terceira.

Faça um experimento simples, pergunte para alguém de fora do projeto o que o seu produto faz. Se a resposta vier com mais de uma ideia, você construiu mais de uma coisa. Um bom MVP é uma ideia só, executada bem o suficiente para provar que vale a pena ter uma segunda ou uma terceira.

Quanto menor, mais obcecado você precisa ser

Quanto menor, mais obcecado você precisa ser

Existe uma ideia errada de que fazer algo pequeno é fácil. Que um MVP é o projeto que sobra pra quem não tem dinheiro para fazer o produto de verdade. É exatamente o contrário.

Fazer algo pequeno que funciona bem exige mais disciplina do que fazer algo grande que funciona mais ou menos.

Você precisa decidir o que fica de fora com a mesma atenção com que decide o que fica dentro. Precisa resistir à pressão de adicionar uma funcionalidade a mais porque parece simples. Precisa ter clareza absoluta sobre qual é a hipótese que você está testando e o que vai contar como prova de que ela é verdadeira.

O Airbnb não construiu um sistema de avaliação de anfitriões no primeiro fim de semana porque ainda nem sabia se alguém ia querer usar o produto, muito menos se alguém ia querer avaliar o host. Fazia zero sentido investir nisso antes de provar a premissa básica. Essa é a mentalidade.

Não é preguiça, é precisão, é concisão de produto.

Existe uma ideia errada de que fazer algo pequeno é fácil. Que um MVP é o projeto que sobra pra quem não tem dinheiro para fazer o produto de verdade. É exatamente o contrário.

Fazer algo pequeno que funciona bem exige mais disciplina do que fazer algo grande que funciona mais ou menos.

Você precisa decidir o que fica de fora com a mesma atenção com que decide o que fica dentro. Precisa resistir à pressão de adicionar uma funcionalidade a mais porque parece simples. Precisa ter clareza absoluta sobre qual é a hipótese que você está testando e o que vai contar como prova de que ela é verdadeira.

O Airbnb não construiu um sistema de avaliação de anfitriões no primeiro fim de semana porque ainda nem sabia se alguém ia querer usar o produto, muito menos se alguém ia querer avaliar o host. Fazia zero sentido investir nisso antes de provar a premissa básica. Essa é a mentalidade.

Não é preguiça, é precisão, é concisão de produto.

Ser obcecado em entregar o mínimo que dá pra usar é mais difícil do que entregar tudo de uma vez. E é exatamente por isso que quase ninguém faz direito.
Ser obcecado em entregar o mínimo que dá pra usar é mais difícil do que entregar tudo de uma vez. E é exatamente por isso que quase ninguém faz direito.

Por onde começar

Por onde começar

Antes de qualquer tela, qualquer contrato com desenvolvedor, qualquer linha de código: escreva em uma frase qual é a única hipótese que você precisa provar pra saber se o seu produto deve existir. Não duas hipóteses. Uma.

Depois pergunte: qual é a menor coisa que eu posso fazer pra testar essa hipótese com uma pessoa real? Pode ser um canal no Telegram. Pode ser um protótipo navegável que parece o produto mas não tem código. Pode ser uma landing page com um botão de "quero testar" que você responde manualmente. Pode ser uma planilha que você opera por trás enquanto o usuário acha que tem um sistema.

Se a resposta envolver meses de desenvolvimento e dezenas de milhares de reais antes de conversar com o primeiro usuário real, você ainda não chegou no MVP. Você está pensando no produto.

Na eenvo, a gente passa as primeiras semanas de qualquer projeto entendendo qual é a hipótese que precisa ser provada antes de qualquer coisa ser construída. 

Discovery, pesquisa com usuários reais, design do MVP e protótipo validado, pronto para desenvolver com convicção. Se você tem capital em mãos e quer construir da forma certa, a gente quer conversar.

Antes de qualquer tela, qualquer contrato com desenvolvedor, qualquer linha de código: escreva em uma frase qual é a única hipótese que você precisa provar pra saber se o seu produto deve existir. Não duas hipóteses. Uma.

Depois pergunte: qual é a menor coisa que eu posso fazer pra testar essa hipótese com uma pessoa real? Pode ser um canal no Telegram. Pode ser um protótipo navegável que parece o produto mas não tem código. Pode ser uma landing page com um botão de "quero testar" que você responde manualmente. Pode ser uma planilha que você opera por trás enquanto o usuário acha que tem um sistema.

Se a resposta envolver meses de desenvolvimento e dezenas de milhares de reais antes de conversar com o primeiro usuário real, você ainda não chegou no MVP. Você está pensando no produto.

Na eenvo, a gente passa as primeiras semanas de qualquer projeto entendendo qual é a hipótese que precisa ser provada antes de qualquer coisa ser construída. 

Discovery, pesquisa com usuários reais, design do MVP e protótipo validado, pronto para desenvolver com convicção. Se você tem capital em mãos e quer construir da forma certa, a gente quer conversar.

Mateus Mativi

Product Designer, escreve sobre produto, inovação e o que aprende no caminho.

Somos um estúdio de design e estratégia para produtos digitais.

Ajudamos empresas e founders a transformarem ideias e recursos em produtos que funcionam com método, clareza e entrega real.

Florianópolis, SC

eenvo studio

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todos os direitos reservados

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